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Lei de Informática da ZFM: como transformar PD&I em inovação, startups e novos negócios

As empresas de TIC da Zona Franca de Manaus investiram R$ 1,58 bilhão em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no ano-base de 2024, distribuídos em 410 projetos, segundo a SUFRAMA. A Lei de Informática é a principal alavanca por trás desse número. Para a maioria das beneficiárias, ela funciona em dois tempos: obrigação regulatória de um lado, oportunidade de investimento em inovação do outro. O problema é que a segunda metade costuma ficar subaproveitada. A pergunta que move este artigo não é “como aplicar os recursos de PD&I”, e sim como usar a Lei de Informática para gerar mais inovação aplicada, mais startups conectadas à operação e mais futuro para a empresa.

A Lei de Informática é mais do que uma obrigação de PD&I

A Lei de Informática regula parte expressiva do investimento em pesquisa e desenvolvimento das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Para a beneficiária, o cumprimento gera um conjunto previsível de projetos: melhoria de processos, desenvolvimento de produtos, capacitação técnica, ganhos operacionais. Esse trabalho é necessário e mantém a operação competitiva.

Existe, porém, uma camada que costuma ficar fora do planejamento. A mesma verba pode aproximar a empresa de inovação aberta, intraempreendedorismo, startups, ICTs, centros de pesquisa e investidores. O ponto central não é só cumprir a regra ou financiar inovação incremental. É aplicar com mais intenção, combinando melhoria contínua e iniciativas capazes de gerar pilotos, fornecedores, novos produtos e parcerias.

O tamanho da oportunidade na Zona Franca de Manaus

O número da SUFRAMA mostra a força da política pública: R$ 1,58 bilhão aplicados em PD&I no ano-base de 2024, em 410 projetos executados na Amazônia Ocidental e no Amapá. Por trás do volume, fica uma pergunta que poucas empresas respondem com clareza: quanto desse investimento gera adoção real, novos fornecedores, conexão com startups, capacitação de pessoas e vantagem competitiva?

Centros de pesquisa, ICTs e times internos seguem fundamentais no desenvolvimento tecnológico. A diferença aparece quando a empresa adiciona uma camada estratégica ao PD&I, conectando os projetos à operação, ao mercado e às rotas de crescimento do negócio.

Três perguntas antes do próximo projeto de PD&I

Antes de decidir o próximo projeto, vale um diagnóstico rápido:

  1. Os projetos de PD&I estão conectados aos desafios prioritários da empresa, ou seguem uma lógica isolada de área técnica?
  2. A empresa tem um pipeline ativo de startups, ICTs e soluções externas, ou começa a busca do zero a cada demanda?
  3. Os recursos geram apenas entregáveis técnicos, ou também pilotos, fornecedores, aprendizado interno e novos negócios?

Quem responde com honestidade costuma migrar da simples execução de projetos para uma agenda mais estratégica de inovação.

Seis rotas para transformar recursos de PD&I em inovação aplicada

As frentes abaixo cabem na lógica de PD&I e funcionam melhor quando combinadas.

  1. Capacitar times internos. A inovação começa pelas pessoas. Formação em empreendedorismo e intraempreendedorismo ensina o time a identificar problemas, validar hipóteses, testar soluções e colaborar com startups e parceiros externos. O objetivo não é só treinar pessoas, mas aumentar a capacidade da empresa de gerar e executar oportunidades.
  2. Estruturar estratégia e governança de inovação. Antes de escolher uma startup ou um centro de pesquisa, a empresa precisa saber onde estão suas maiores oportunidades. Mapear desafios, priorizar temas, definir teses e organizar indicadores conecta a obrigação legal à estratégia corporativa.
  3. Criar programas de inovação aberta para desafios reais. Temas como automação, inteligência artificial, rastreabilidade, eficiência energética, manutenção preditiva e economia circular podem virar chamadas abertas a startups, ICTs e especialistas. O ganho é reduzir o tempo de busca e testar tecnologias com menos risco.
  4. Desenvolver scouting e pipeline qualificado de startups. Muitas empresas querem se aproximar de startups, mas não sabem onde encontrar boas soluções nem como avaliar maturidade. Um processo de scouting e screening cria uma base qualificada, com análise de aderência ao desafio, maturidade tecnológica e capacidade de execução.
  5. Acelerar startups e novos negócios. Boa tecnologia nem sempre vem com modelo de negócio pronto para vender a uma grande empresa. Programas de pré-aceleração e aceleração ajudam a startup a evoluir em validação de mercado, governança e estratégia comercial. A empresa também pode usar corporate venture builder para testar teses e estruturar spin-offs ligados à sua estratégia.
  6. Conectar corporate venture capital e FIPs. O investimento em startups dá acesso antecipado a tecnologias emergentes, inteligência de mercado e relacionamento com empreendedores. O retorno é financeiro e estratégico, com possibilidade de parceria comercial ou aquisição futura.

O que os estudos mostram sobre inovação aberta

A intenção de colaborar com startups já é maioria. O Open Innovation Report 2023, produzido pela Sopra Steria com Ipsos e INSEAD, aponta que 72% das corporações pesquisadas conduziam projetos de colaboração com startups, e 55% recorreram a intermediários especializados para coordenar essas iniciativas. O dado sobre intermediários diz algo relevante: a relação corporação-startup raramente flui bem sem método e curadoria.

A distância entre querer e conseguir, porém, é grande. No relatório global de inovação de 2024, a BCG identificou que 83% das empresas colocaram inovação entre as três maiores prioridades, mas apenas 3% se diziam prontas para transformar essa prioridade em resultado. Já a McKinsey mostra que empresas maduras em corporate venture building chegam a gerar, em média, 12 vezes mais receita no quinto ano de um novo negócio do que as iniciantes.

Henry Chesbrough, que cunhou o termo inovação aberta em 2003, descreve o modelo como o uso deliberado de caminhos internos e externos para levar tecnologia ao mercado. Cohen e Levinthal, em 1990, deram nome ao que separa quem absorve tecnologia externa de quem apenas observa: capacidade absortiva, a habilidade de reconhecer, assimilar e aplicar conhecimento de fora. PD&I bem aplicado constrói exatamente essa capacidade.

A armadilha do PD&I que nunca sai do laboratório

Aqui mora o problema mais comum. Boa parte do investimento em PD&I produz relatório técnico, protótipo e prova de conceito que não chegam à operação nem ao mercado. O recurso é aplicado, a obrigação é cumprida, e o retorno fica restrito ao entregável.

Duas causas se repetem. A primeira é a síndrome do “não inventado aqui”, descrita por Katz e Allen em 1982: equipes técnicas rejeitam soluções externas por desconfiança ou orgulho, e a tecnologia da startup não encontra espaço interno. A segunda é o desequilíbrio entre fluxos. A maioria dos programas brasileiros é quase só inbound, trazendo soluções de fora sem estruturar a contrapartida de levar tecnologia, dados ou IP para o mercado. Sem método para converter piloto em contrato, o ciclo se esgota na vitrine.

Esse é o ponto que separa investir em tecnologia de gerar resultado com tecnologia. Não basta abrir a porta para o ecossistema. É preciso ter quem traduza desafio em chamada, avalie a maturidade da startup, conduza o piloto e prepare a contratação.

Como começar a aplicar a Lei de Informática com mais intenção

O primeiro passo não exige um grande programa. Exige escolher um desafio prioritário da operação e tratá-lo como projeto de inovação, não apenas como demanda técnica. A partir dele, a empresa define o caminho: capacitar o time, abrir uma chamada a startups, estruturar scouting ou desenhar um piloto com indicadores de negócio acordados no início.

Vale também organizar o portfólio antes de espalhar recursos. Mapear três a cinco desafios, priorizar por impacto e viabilidade e definir como cada um será medido evita o erro de financiar muitos projetos sem foco. Para quem quer um roteiro dessas rotas, reunimos um guia gratuito com as seis frentes, o que cada uma entrega e como dar o primeiro passo.

A Venture Hub Manaus é credenciada CAPDA/SUFRAMA e atua com recursos da Lei de Informática em Manaus, da estruturação à execução de programas de inovação aberta, scouting, capacitação, aceleração e conexão com startups, ICTs e investidores.

Quer mapear como parte do seu orçamento de PD&I pode virar pilotos, fornecedores e novos negócios já no próximo ciclo? Agende uma conversa de 30 minutos com o time de especialistas da Venture Hub.

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